História

Quaresma e Ronaldo: os miúdos que davam dores de cabeça em Alvalade

Por António Barroso · Futebol · 24 de setembro de 2026

O jornal espanhol Sport dedicou um artigo a Ricardo Quaresma, procurando perceber porque é que a passagem pelo Barcelona — para onde rumou no verão de 2003, por cerca de 6 milhões de euros — não correu como ambas as partes esperavam. Às ordens de Frank Rijkaard, o extremo somou apenas 28 jogos e marcou uma única vez, regressando um ano depois a Portugal, para o FC Porto, no âmbito das negociações por Deco.

O que mais nos toca a nós, sportinguistas, são as memórias de Alvalade. Toñito, que partilhou balneário com Quaresma e Cristiano Ronaldo, recorda que ambos “recebiam muitos raspanetes” dos veteranos pelas ousadias no um contra um. Segundo o mesmo testemunho, a grande diferença estava na cabeça: Ronaldo tinha uma mentalidade distinta, enquanto Quaresma possuía “uma qualidade técnica infinita”.

Jaume Langa, então fisioterapeuta, traçou o retrato de um extremo explosivo, com uma mudança de ritmo que deixava os laterais pregados ao chão. Já em Camp Nou, Quaresma travou amizade com Óscar López, que sublinhou a “fome” de triunfar do português numa temporada dura.

O colunista Rafa Cabeleira, do El País, resumiu de forma poética o fascínio que o jogador exerce: um futebolista subversivo, excessivo, que se dedicava a “fazer coisas que não servem para nada, a não ser para se divertir”.

Dois miúdos formados na nossa casa que deixaram marca no futebol mundial. Orgulho leonino.